domingo, 27 de dezembro de 2009

NATAL

Não nos "cheira" a Natal, mas a verdade é que já passou e este ano foi em Angola!

Tudo é tão diferente...a temperatura que se faz sentir, faz esquecer a tradicional fogueira de algumas regiões em Portugal.

As decorações e o consumismo que caracteriza a época, nem se sente... Enfim, a diferença é abismal...

A noite de 24 de Dezembro passou-se em conjunto, o tradicional bacalhau e polvo para a ceia...O convivio com largas dezenas de pessoas, faltou a troca de prendas.

O dia 25 teria de marcar pela diferença... Ao almoço Lagostas na Barra do Dande, com um passeio em direcção a Ambriz em busca de uma praia que teimou em não aparecer. Ainda deu para um mergulho, apesar do tardio da hora.

Um jantar de amigos, em casa e assim se passou o primeiro Natal fora de Portugal.

Saudações para TODOS!!!

Uma Noite no Prenda!

Eram 17h00...Estava numa reunião precisei de fazer um telefonema e para meu espanto tinha várias chamadas não atendidas e decidi ligar, parecia-me que algo tinha acontecido. A Raquel desmaiou na obra do Aeroporto Internacional e caiu... Qual será a gravidade da situação?? Fiz-me ao caminho e encontrámo-nos na casa do nosso Médico. Exames e diagnóstico feitos, vamos para casa. Quando tudo parecia estar a melhorar e já em casa, voltam os problemas. Vamos para o Hospital do Prenda. Uma Aventura no Hospital...Podia chamar-se esta noite....O cenário era dramático, pessoas deitadas em todos os corredores, frascos de soro por todo o lado e nós ali no meio. Cerca das 2h da manhã, entra um sinistrado, atropelado, politraumatizado, não resistiu aos ferimentos... O cenário que nos rodeava era Dantesco, até que cerca das 3h30, nos disseram para irmos até casa e regressarmos pela manhã.Assim fizemos, mas a aventura continuará por essa manhã e pela seguinte até ser possível fazer uma TAC e verificar que tudo não passou de um grande susto.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Sua Excelência sai à Rua...

Na cidade o trânsito é um caos. Os carros atropelam-se, as motas não respeitam qualquer regra, o limite das fachas de rodagem decoram o asfalto, se estão marcadas 2, com facilidade temos 4 ou 5, se a facha inversa o permitir o trânsito pára e as ruas de 2 sentidos transformam-se em sentido único.

Saímos à rua, há soldados por todo o lado, o trânsito está ainda mais caótico. Fizemo-nos ao caminho rumo ao escritório, os militares começam a mandar os carros encostar para uma única fila, chegámos a um cruzamento, somos o primeiro carro a ser mandado parar, sua Excelência o Senhor Presidente da Republica vai sair à rua. Os motociclistas chegam-se à frente de todos os carros, onde são impedidos de prosseguir, há um mais destemido que tenta a sua sorte, mas de imediato é bloqueado sem qualquer hipótese de mostrar o desrespeito que tanto os caracteriza.

O trânsito está todo parado, os militares são às dezenas ao longo do percurso, estão todos de costas para a facha livre, de armas em punho os que se encontram a imobilizar o trânsito nos cruzamentos. Começam-se a ouvir sirenes, vêm as motas da polícia, batedores que asseguram que o percurso está livre, segue-as uma Pick-Up com soldados de arma em punho, um carro da Polícia de trânsito e cinco carros de vidros fumados, todos iguais, onde irá o Sua Excelência? A encerrar a caravana mais uma Pick-Up idêntica à da frente do Pelotão, os carros vassoura, um jipe inibidor de comunicações e uma ambulância, para qualquer eventualidade.

Deixam de se ouvir as sirenes e a caravana já não se avista, os carros vão prosseguir a sua marcha e o trânsito regressa ao seu corrupio desordeiro.

A Lareira da Avó Alzira

Longe vão os tempos em que aquela lareira nos aquecia do rigor dos invernos em Pedrógão.

Todas as noites aquela fogueira era riquíssima em funções, tanto servia para nos aquecer, como para manter a água quente na panela de ferro, como para torrar pão ou para uns deliciosos grelhados nas brasas, também aquecia as botas para que o cebo de impermeabilização e conservação fosse mais fácil de espalhar.

Na noite de Natal o calor da lareira e da união da família era por algumas horas substituído pelo calor da fogueira no Largo da Igreja, todos se reuniam junto da enorme fogueira, aguardando que chegasse a meia-noite para assistir à Missa do Galo e depois desta havia sempre lugar a mais uns minutos de conversa.

A tradição já não é o que era e tudo se foi perdendo, a lareira da Avó Alzira ainda existe, mas já não tem o mesmo encanto, a Missa do Galo há anos que deixou de ser à meia-noite e a fogueira no Largo da Igreja, passou a ser no Parque Infantil, com muito menos lenha que a lareira da minha avó e sem o encanto de outrora. Meia dúzia de cavacos a arder solitários, tem sido assim nos últimos anos, sem os Pedroguenses a assistirem ao consumo, pelas chamas, dos imponentes troncos de sobreiro, que ardiam horas a fio, prolongando-se pelo dia seguinte.

Ano após ano, vamos recordando com nostalgia as tradições que se vão deixando perder, a Fogueira de Natal é só mais uma entre tantas. Hoje e como a vida dá voltas e voltas, estou em Angola a recordar a Lareira da Avó Alzira, a tradição Natalícia e a escrever sobre fogueiras, como se elas me fizessem falta, com os 30ºC que aqui temos. O clima nem nos lembra que o Natal está à porta…Não “cheira” a Natal!

Temo regressar ao frio e não ter o calor do convívio á volta daquela fogueira, onde confraternizávamos e reencontrávamos aqueles que apenas nesta época regressavam. Hoje sou eu que estou no lugar deles, longe…

Não sei se este ano a fogueira reaparecerá no Largo da Igreja ou desaparecerá para sempre e com ela irá a tradição.

Apesar do calor que sinto, gostaria que aos Pedroguenses voltasse a ser proporcionado o calor do convívio à volta da fogueira. Não deixem morrer a tradição que anos a fio nos aqueceu física e culturalmente. Acendam os troncos e deixem-nos arder!

Um Aventura no Equador

“Bem-Vindo ao Leve-Leve de São Tomé”, foi assim que fomos recebidos…

A aventura começou em Luanda no aeroporto 4 de Fevereiro. O voo está atrasado. Depois de todas as burocracias passadas chegou a hora do embarque. As malas de todos os passageiros estavam na pista à espera que o proprietário as identificasse e as colocasse no transporte para o porão, as que não fossem identificadas não viajavam.



1h45m de viagem e chegámos a São Tomé. Fomos recebidos de forma simpática. Surpreendeu-nos a amabilidade daquele povo. O lema “Leve-Leve” é-nos transmitido por todos. Tudo muito calmo, sem stress.

O dia de chegada foi para programação das visitas e para aproveitar a piscina do hotel. Depois de tudo organizado, carro alugado e circuitos definidos, nada melhor que uns mergulhos para descontrair.





O primeiro dia de visitas, cerca das 9h30, como combinado, apareceu o carro com motorista, o Martinho que foi o nosso guia ao longo de 3 dias. Vamos começar a nossa aventura pela zona central da Ilha de S. Tomé, Queda de Água de São Nicolau, Jardim Botânico, com visita guiada e explicação para cada uma das plantas existentes, Roça Monte Café, Queda de Água e Roça Bombaim, regresso à cidade com repasto no Restaurante Filomar.

























A Construção tipica em São Tomé são casas de Madeira sobre estacas, umas bastante simples, outras mais elabradas.





Iniciámos o dia com uma visita à Cidade, passando de seguida para a Zona Norte, Praia do Governador, Roça Agostinho Neto, com centenas de crianças a correrem e a saudarem-nos, todos eles com um frase que caracteriza todas as crianças São Tomenses "Doce, Doce"... Todos e em todo o lado nos pedem doces, fomos prevenidos e fomos distribuindo rebuçados pelas crianças. Praia das Conchas e Lagoa Azul, com ida até Neves e Almoço em Guadalupe foram os destinos de Sábado.
































No Domingo a Zona Sul, por estas bandas a pobreza é bem mais visivel. Clube Santana, Boca do Inferno, Praia Piscina, Praia Jalé e um delicioso almoço confeccionado por João Carlos Silva, na Roça de São João.





























Cada uma das Roças visitadas tem o seu encanto... A dimensão versus degradação é o mais impressionante. Um Império abandonado e destruído. As culturas de Café, Cacau e Oleo de Palma deixadas ao abandono...Um Roça era uma pequena Vila com todas as condições, escolas, hospitais, grandes "avenidas", hoje tudo abandonado, com casas ocupadas por dezenas de familias e muito degradadas, ou mesmo abandonadas...



Não há curso de àgua onde não se lave roupa...Cada riacho é um enorme "lavadouro" com dezenas de mulheres e centenas de peças de roupa.


Segunda-Feira, piscina do hotel e passeio a pé, para compra de artesanato e visita á fábrica de chocolate.

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A partir de Terça-Feira no sossego do Ilhéu das Rolas, com visita à Linha do Equador, até que na Sexta-Feira tivemos de regressar a Luanda, estavam acabadas as férias.












Terminámos a nossa Aventura com uma viagem de Taxi para o aeroporto... Uma viatura com mais de 20 anos, muito degradada, pintada de amarelo, com um motorista cheio de sentido de humor e confiança na máquina que conduzia. Os vidros não abriam, o AC não estava incluido no pacote de extras da época, os puxadores das portas já se tinham partido e o banco da frente era fixo, não permitia qualquer movimento...