domingo, 13 de dezembro de 2009

"Benção da Natureza"

São 6 da manhã... O telefone começa a tocar... Estamos atrasados, já nos esperam para mais uma aventura em Angola!

Malanje aqui vamos NÓS!

Como todas as viagens neste país, longas horas de carro estão pela nossa frente. Dondo torna-se paragem quase obrigatória, nem que seja pela necessidade de abastecer o depósito de combustível. Abastecida a máquina, a fome começava a espreitar, várias voltas à beira rio, mas o cheiro que pairava por aquelas bandas impediu-nos de nos deliciarmos com os petiscos que cada um tinha preparado para esta odisseia. A viagem prosseguiu até que parámos no meio do nada, onde o cheiro era agradável...Ups!!!! Abriu-se a primeira geleira, comem-se as primeiras sandes...E AGORA?!?!?! O saco das sandes de ovo ficou em casa!!!


A Aventura continua... Fogo à beira da estrada, paisagens lindissimas, o contraste da Savana, com o verde muito denso, as estradas degradadas e pontes detruídas seguidas das já recionstruídas, locais não encontrados e lá estávamos nós a caminho do nosso destino. No meio do nada aparece a Policia da Floresta, abrigados numa tenda, que nos faz uma entrevista, pede um cigarro para o fim-de-smana e nos deseja boa viagem.  Km's e Km's percorridos, com paragem para que um acidente se resolvesse, quase 6 horas de viagem, estamos a chegar a Malanje... Não encontrámos as "Pedras Negras de Pongo Andongo". Mas a Policia descobriu que nós não tinhamos colete refletor e começa bem a entrada em Malanje... Carta de Condução apreendida e cerca de 3.000Kz de multa. Não podemos deixar a carta e tivemos de arranjar forma de pagar a multa no local. Desta safámo-nos, vamos até ao "Hotel Palácio Regina" descansar e ganhar forças para uma refeição (almoço, lanche, jantar) o que quiserem, mas foi a única de faca e garfo do dia.

 


Energias restabelecidas, vamos conhecer a cidade. Malanje é a capital da Provincia com o mesmo nome, é uma cidade pacata, bem calma e como todas as cidades que temos vindo a conhecer em Angola a degradação é bem visivel, contrariamente a Luanda em que se vêm gruas e obras em todo o lado, aqui tudo ficou parado no tempo, alguma construção, mas muito pouca. As pessoas são mais simpáticas, as crianças olham-nos com curiosidade e sempre que se sentem observados, lá estão eles a pedir-nos para fotografarmos e a posarem para a foto.

Vamos descansar, que bem merecemos...

OS fins-de-semana são curtos, sabe a pouco, está na hora de regressar, levantámos bem cedo para podermos conhecer mais umas maravilhas de Angola, o primeiro destino da manhã foi a Parque Natural da Kangandala, os rápidos do Kwanza e tentar ver a Palanca Negra Gigante. Cerca de 60Km's em terra batida chegámos a Kangandala, para visitar o Parque Natural era necessária a autorização do Administrador, infelizmente ele tinha-se ausentado...Proseguimos em direcção aos rápidos do Kwanza, nesta estrada o cenário mudou completamente. Um Caminho que em tempos tinha-se sido asfaltadtava completamente destruis marcas da guerra eram bem visiveis, blindados destruidos ao longo de todo o percusrso, sinalética alertando para a existência de minas, terminámos a viagem numa ponte destruída, sem possibilidade continuação... Como ao longo de toda a viagem a maioria das pontes foram destruidas pela guerra, a mioria encontra-se em reconstrução com era o caso desta. Só nos resta voltar para trás, fazer mais uma tentativa para visitar o Parque Natural, mas o Administrador teimou em não aparecer. Vamos até Malanje procurar o mercado para comprar um colete reflector, não queremos voltar a ser multados.




Já temos um colete. O Mercado é um amontoado de gente, lixo e barracas, dividido por um curso de àgua onde as crinaças se vão divertindo e paralelo ao caminho de ferro que está a ser reabilitado, em breve será possível chegar a Malanje de comboio.





As outrora conhecidas por Quedas de Àgua Duque de Bragança, são o próximo destino. Saindo de Malanje são mais 60Km's numa estrada muito degradada até lá chegar. Ao longo deste percurso encontrámos várias aldeias, toda a gente nos saudava, sentíamo-nos bem com a alegria daquela gente pelo simples facto de nos ver passar. Parámos para tirar fotografias, visitámos um palhota e até o Soba da aldeia quis ser forografado.



Ainda estávamos longe de Kalandula quando avistámos pela primeira vez o nosso destino, as quedas de àgua... O cenário adivinhava-se divinal. Mais uns KM´s e estávamos nas Quedas de Àgua de Kalandula, as nossas espectativas concretizaram-se, o cenário era um "Benção da Natureza", algo indescritivelmente belo. A Natureza caprichou, o verde denso, a àgua...um arco-iris de outro mundo.




Com muita pena nossa ao fim de algumas horas a complentarmos as quedas de àgua e depois de refrescar os pés naquelas águas limpidas e friaso caminho já se fazia tarde e ainda queriamos encontrar as Pedras Negras de Pongo Andongo.

A caminho de Luanda vamos atentos a todas as indicações, até que finalmente ao fim de algum tempo vimos a indicação que nos levava ao nosso próximo destino.
Mais uma vez vamos fazer um desvio, ninguém tem vontade de voltar à confusão de Luanda, percorremos cerca de 40Km's, desta vez por uma estrada com muito bom piso, quando se começaram a avistar os primeiros vestigios da formação rochosa, no meio de planicies, como se o solo tivesse sofrido uma erupção naquele local. Passeámos ao longo das pedras e começou a anoitecer. Está na hora de nos pormos a caminho.



Já era de noite a fome começou a apertar e o Toyota V8 precisava de gasolina, N'Dalatando é a próxima paragem para reabastecimento. Reabastecido o carrro, faltamos nós... Um Hotel é sempre um sitio seguro, este era novo e com muito bom aspecto...O Buffet estava delicioso, barriguinhas cheias continuamos a viagem, mais uma vez com paragem obrigatória no Dondo para mais uns litros de gasolina no depósito. Daqui para a frente a estrada é muito perigosa, sorte que encontrámos um jipe que nos serviu de guia e perseguimos até Viana.




E assim termina mais uma viagem em Angola!

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