Desta vez a viatura era totalmente desconhecida. Por precaução fizemo-nos acompanhar de combustível, mas não invalidou a quase obrigatória paragem no Dondo para reabastecimento, aqui já anoitecia e até ao Huambo faltavam cerca de 450Km’s, dificilmente conseguiríamos voltar a parar.
Noite dentro fomos andando em direcção ao nosso destino, a chuva parou, a direcção do Rav4 vibrava e o tempo ia passando, Huambo cada vez estava mais próximo.
Ao chegar a Wako Kungo tememos não conseguir alcançar o nosso destino, com falta de combustível, tentámos reabastecer, mas todas as bombas estavam encerradas. Houve uns miúdos que nos tentaram vender uns litros de gasolina por 100Kz, o preço normal é 40Kz, decidimos arriscar mais uns Km’s e conseguimos chegar ao Huambo.
O Benfica jogava com o Braga e antes de mais fomos ver o jogo… O Benfica perdia por 0-2 e com este resultado terminou o jogo. Já era tarde e fomos descansar. Ao percorrer as ruas da cidade surpreendeu-nos os jardins iluminados e arranjados.
Ao acordar fomos conhecer a cidade, bastante pequena, mas muito limpa, algo destruída, mas com muito trabalho de reconstrução visível. A gigantesca moradia outrora habitada por Jonas Savimbi é uma das marcas de guerra bem visíveis na cidade, está completamente destruída. Há uns prédios com marcas visíveis de tiroteios e bombardeamentos, paredes meias com zonas reconstruídas e muito arranjadas, iluminadas, decoradas e ajardinadas.
Visitada a cidade decidimo-nos aventurar até à Província de Bié, cidade do Kuito, a capital. Não sabíamos o que nos esperava, cento e poucos Km’s trinta dos quais com muito mau piso, alguns aglomerados populacionais, paisagens magnificas…
Kuito é das cidades que até agora visitamos a que tem sinais mais visíveis da guerra, completamente destruída… Bastante visível a marca das balas nas paredes, a destruição das habitações. O Palácio e os edifícios do Governo Provincial rodeiam-se de jardins bem conservados bem no centro da cidade, tudo o resto à volta é um amontoado de destruição.
As crianças brincam pelas ruas com brinquedos de fabrico exclusivo Made in Angola, ou quem sabe Made in Àfrica, rodas de mota, ou aros de uma velha bicicleta, não conseguimos exprimir como são felizes nas suas brincadeiras… Aqui eram muito envergonhados e a nossa raça era-lhes estranha, quando os abordávamos fugiam.
As emoções mais fortes esperavam-nos… O reencontro de famílias separadas pela guerra desde 1992, a tentativa de redescobrir a habitação, a desilusão da descoberta a contrastar com as lágrimas de alegria da presença dos entes queridos.
Vamo-nos por a caminho o mais cedo possível, o carro está com alguns problemas, não podemos viajar de noite e além disso queremos apreciar as paisagens que não vimos na viagem realizada durante a noite.
A viagem é longa mas compensada pela beleza paisagística e cultural. Muitas aldeias tipicamente africanas, muitos instrumentos de trabalho artesanais, a agricultura primitiva e o verde que predomina.
Algumas paragens para contemplar a paisagem, ou satisfazer curiosidades junto da população, pelos artefactos utilizados nas suas rotinas quotidianas e cá vamos nós de regresso ao tormento de Luanda.
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