Longe vão os tempos em que aquela lareira nos aquecia do rigor dos invernos em Pedrógão.
Todas as noites aquela fogueira era riquíssima em funções, tanto servia para nos aquecer, como para manter a água quente na panela de ferro, como para torrar pão ou para uns deliciosos grelhados nas brasas, também aquecia as botas para que o cebo de impermeabilização e conservação fosse mais fácil de espalhar.
Na noite de Natal o calor da lareira e da união da família era por algumas horas substituído pelo calor da fogueira no Largo da Igreja, todos se reuniam junto da enorme fogueira, aguardando que chegasse a meia-noite para assistir à Missa do Galo e depois desta havia sempre lugar a mais uns minutos de conversa.
A tradição já não é o que era e tudo se foi perdendo, a lareira da Avó Alzira ainda existe, mas já não tem o mesmo encanto, a Missa do Galo há anos que deixou de ser à meia-noite e a fogueira no Largo da Igreja, passou a ser no Parque Infantil, com muito menos lenha que a lareira da minha avó e sem o encanto de outrora. Meia dúzia de cavacos a arder solitários, tem sido assim nos últimos anos, sem os Pedroguenses a assistirem ao consumo, pelas chamas, dos imponentes troncos de sobreiro, que ardiam horas a fio, prolongando-se pelo dia seguinte.
Ano após ano, vamos recordando com nostalgia as tradições que se vão deixando perder, a Fogueira de Natal é só mais uma entre tantas. Hoje e como a vida dá voltas e voltas, estou em Angola a recordar a Lareira da Avó Alzira, a tradição Natalícia e a escrever sobre fogueiras, como se elas me fizessem falta, com os 30ºC que aqui temos. O clima nem nos lembra que o Natal está à porta…Não “cheira” a Natal!
Temo regressar ao frio e não ter o calor do convívio á volta daquela fogueira, onde confraternizávamos e reencontrávamos aqueles que apenas nesta época regressavam. Hoje sou eu que estou no lugar deles, longe…
Não sei se este ano a fogueira reaparecerá no Largo da Igreja ou desaparecerá para sempre e com ela irá a tradição.
Apesar do calor que sinto, gostaria que aos Pedroguenses voltasse a ser proporcionado o calor do convívio à volta da fogueira. Não deixem morrer a tradição que anos a fio nos aqueceu física e culturalmente. Acendam os troncos e deixem-nos arder!
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as tradições fazem parte da nossa identidade, umas ~perden-se outras vão se mantendo a muito custo, este ano acredito que a fogueira de natal,se vai realizar, não no adro da igreja, mas la muito proximo... para que a tradição não morra
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